Diario de um Jovem Gay

Um blog para todas as pessoas, mas especialmente para people de mente aberta. Neste blog vou contar a minha esperiencia dos ultimos 6 meses...... uma viagem para mim alucinante.

Sunday, July 30, 2006

1º Dia

“Bem, acabei de chegar. Vim toda a viagem a pensar se fiz bem ao mal, e confesso ter tido vontade de desistir e voltar. Mas depois pensei melhor e vi que isto vai ser o melhor para mim, portanto, vou é começar uma vida nova e cagar para o passado”.

Foram exactamente estas as únicas palavras que escrevi no primeiro dia, num caderno que tinha comprado numa estação de serviço perto de Coimbra. Ainda me lembro como se fosse hoje, um dia em que o tempo parecia não parar, um dia em que tive de reorganizar a minha vida e começa-la do zero.
Quando cheguei a Lisboa a primeira coisa que fiz foi parar num café na gar do oriente comprar um jornal e começar uma tarefa que se mostrou muito complicada. ARRANJAR CASA NUM DIA. Lembro me de ter sublinhado quase todo o jornal na parte dos classificados, de ter carregado o telefone com 15 euros (e de o voltar a carregar com mais 25 meia hora depois). E este foi o ponto de partida para uma longa tarde de visitas. Visitei cerca de 30 apartamentos que não serviam ou porque eram muito caros ou porque não tinham as mínimas condições. E só quando a esperança e a lista começavam a acabar encontrei aquela que seria a minha casa durante o tempo que vivi em Lisboa. Ficava na praça da figueira, no rossio, era uma casa linda, um quinto andar, vista para o castelo de são Jorge. E o mais bonito que vim a saber algumas horas depois, ficava junto a zona gay. Digo algumas horas depois porque bastou sair a rua para me deparar com algumas personagens engraçadas.
Depois o mais bonito foi ter ido jantar fora porque não tinha vontade para cozinhar e ter entrado sem reparar num restaurante que era praticamente frequentado só por gays e em vez da conta ter recebido muitos bilhetes. Pois, aquilo parecia um género de talho, onde todos tentavam ter a carne mais fresca (acabada de chegar). Entre esses bilhetes, destacou se um que dizia: “bem, sei q tas farto de receber bilhetes e é so para te dizer para teres cuidado, aqui ninguém ou quase ninguém pensa nos sentimentos”. Nunca descobri quem o escreveu mas desconfio.
A seguir ao jantar, fui para casa e fiquei varias horas a olhar para o bilhete, devo ter adormecido lá para as 5 da manha.

Monday, July 24, 2006

Ruby


Se bem me lembro, tudo começou a cerca de 7 meses, quando a psicóloga onde eu andava me disse que devia contar ao meu grupo de amigos mais próximos que era homossexual. Pois, segundo ela era uma forma de aceitar e de me sentir mais a vontade, o que ela nunca me perguntou foi se eu tinha algum problema com isso.
Mas como era um menino bem mandado não pensei duas vezes e contei. É claro, que na altura nem sequer pensei nos problemas que isso me podia causar e pelos vistos nem ela. E digo isto porque sou de uma terra do norte interior, onde toda a gente se conhece, e todos comentam a vida uns dos outros.
A reacção dos meus amigos não foi má, mau foi o ambiente que ficou no grupo principalmente com os rapazes, e prontos foi essa a razão que me levou a decidir ir para Lisboa. A razão principal foi fugir, sim eu como qualquer pessoa, achava que fugir era o caminho mais fácil para resolver os problemas. Mas não me arrependo, com esta fuga conheci muita gente, vivi muitas experiências, e o melhor de tudo foi crescer, cresci como nunca. Pronto, o que interessa neste momento não e o ter crescido e muito menos as pessoas que conheci pois de alguns nem me quero lembrar, o que tem realmente interesse aqui foram as experiências que tive oportunidade de viver. E são essas experiências de que guardo lembranças que vou falar.